Estelionatário que se passava por filho de delegado e investigador é preso

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Paulo Ricardo Costa de Moraes recebia dinheiro de suas vítimas com a promessa de facilitar na obtenção da CNH ou na liberação de documentos de veículos. Paulinho, como é conhecido, já enganou até a Operação Lava-Jato

A Polícia Civil prendeu nesta quarta-feira (17) Paulo Ricardo Costa de Morais, de 31 anos, suspeito de aplicar golpes de estelionato em Pouso Alegre e região. Segundo a polícia, Paulinho, como é conhecido, enganava suas vítimas dizendo que era filho de um delegado e outras vezes dizia que também era investigador de polícia. A prisão é preventiva. Entre o fim do ano passado e abril de 2019 são oito boletins de ocorrência contra o suspeito. Paulo Ricardo já esteve preso outras vezes pelos crimes de estelionato e furto.

O delegado regional de Pouso Alegre, Renato Gavião, conta que ao se apresentar como investigador e filho de delegado, Paulo Ricardo se mostrava bastante influente e as pessoas acreditavam na lábia dele. Porém, tudo não passava de mentiras.

Os golpes

Segundo a polícia, o suspeito convencia suas vítimas a pagar certas quantias em dinheiro ou depósitos para ele conseguir facilitar os processos de liberação de documentos de veículos ou garantir a aprovação no exame de rua para tirar a CNH.

Em fevereiro deste ano, um lavrador de Espirito Santo do Dourado repassou para Paulo Ricardo o valor de R$ 1.600 para ter a documentação do veículo liberado. Ao perceber que era um golpe, registrou um boletim de ocorrência na delegacia.

Também este ano, Paulinho foi até uma joalheria no Centro de Pouso Alegre e escolheu uma pulseira folheada a ouro e colocou no braço. Na hora de pagar os R$ 300 pela joia, disse que havia esquecido o dinheiro, mas que era investigador de polícia e logo voltaria para pagar.  A vendedora ficou aflita ao descobrir que foi enganada.

O golpe para facilitar a CNH era o mais comum, segundo o delegado regional. Paulo Ricardo enganou várias pessoas e recebeu valores entre R$ 300 e R$ 800.

Polícia pede colaboração de vítimas

A polícia acredita que existem outras vítimas que ainda não denunciaram o suspeito. O delegado Renato Gavião pede que essas pessoas compareçam na delegacia para registrar boletim de ocorrência e contribuir com a investigação em andamento.

O pouso-alegrense enganou a Operação Lava-Jato

Em 2016, quando estava preso no interior de São Paulo, Paulo Ricardo mandou uma carta em quatro folhas de caderno, escrita à mão, para o Supremo Tribunal Federal (STF), mas direcionada ao então juiz da Operação Lava-Jato, Sérgio Moro. O conteúdo da carta foi revelado em reportagem publicado no jornal O Globo, do dia 23 de setembro daquele ano. Segundo a reportagem, na carta o presidiário garantiu que comprometeria ex-presidente Lula sobre o sítio de Atibaia. Mas só falaria diante de Moro, em Curitiba.

Ainda de acordo com O Globo, Paulo Ricardo Costa de Moraes jurou na carta que trabalhou como auxiliar do caseiro no sítio Santa Bárbara e teria muita coisa para contar. Ele prometeu entregar um computador que teria sido do ex-presidente Lula, e garantiu ter conversas comprometedoras gravadas do Skype. O equipamento teria sido furtado por ele durante a trabalho. E, por conta do delito, já adiantou um pedido de perdão. Também contaria detalhes de tudo o que teria visto no sítio. Prometeu falar sobre o “mundo criminoso” em que vive o ex-presidente, mas não deu nenhum detalhe do que se tratava.

Garantiu, entretanto, que indicaria a localização de uma outra casa de campo que seria do ex-presidente em Monte Verde. Paulo Ricardo também teria prestado serviços nesse lugar.

A Justiça, o Ministério Público Federal e a Polícia Federal se mobilizaram para ouvir Paulo Ricardo. Mas nada do que ele disse em depoimento, tinha consistência e a operação para ir até ele foi considerado um fiasco. O pouso-alegrense foi ouvido por três integrantes do Ministério Público Federal de Marília (SP), após ser retirado pela força-tarefa do presídio de Tupi Paulista, onde estava preso. Porém, ele não teve o tão sonhado encontro com o juiz Sérgio Moro.

Fonte: Terra do Mandu

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